Eja - 1º Segmento

  


 


Construção da Leitura e da Escrita

Construção da Leitura e da Escrita por meio do trabalho com projetos

 

Tema: Folclore

 

Público alvo: Alunos com dificuldade de leitura e escrita

 

Duração: Tempo indeterminado

 

Final: Portifólio

 

Justificativa:

 

Outdoors, prateleiras de supermercado, rótulos, bancas de revistas, jornais, letreiros, livros, placas de trânsito, cartas, cartões, convites, folhetos informativos, lista telefônica, receitas, preces... A escrita, com diferentes caracteres e funções, espalha-se pela cidade, permeando nosso dia-a-dia. Dela lançamos mão, até sem perceber, para realizar satisfatoriamente grande parte das atividades do cotidiano.


Em meio a essa multiplicidade de formas, cores, tamanhos e funções, os alunos, aos poucos e incidentalmente, vão prestando atenção à escrita. Imitam-na, procuram entendê-la. Brincam de escrever e de ler, escrevem e lêem de verdade. Dessa forma, o aluno se transforma num indivíduo “letrado”.


Descrevendo esse processo ele nos parece automático, mas sabemos que muitas vezes não é bem assim. Com alguns alunos, esse processo não é tão natural e vai se construindo cm muita dificuldade.


A leitura e a escrita são duas partes de um mesmo processo, formando, assim, partes de um todo. Todo o ser humano aprende e incorpora conhecimentos, sendo a linguagem o aspecto distintivo do homem em relação aos demais animais. O ser humano é capaz de falar e de se comunicar também através da linguagem lida e da linguagem escrita, sendo que para que esta aprendizagem se processe, faz-se necessária uma série de aquisições prévias para que o aluno seja capaz de realizar esses conhecimentos.


Para que haja aprendizagem é necessário um desenvolvimento neurológico harmônico, em interação com as influências ambientais.


Para aprender a ler e a escrever, não basta que o aluno tenha audição e visão em perfeito funcionamento. Não quer dizer ouvir e enxergar bem. É necessário, ainda, que o aluno tenha outras habilidades que a audição e a visão lhe conferem, tais como: percepção, memória, capacidade de fazer associações, análise e síntese etc.


O aluno com dificuldades em aprender não é um aluno deficiente. Trata-se de um aluno normal, mas que apresenta déficits em outras habilidades.Como também não podemos classificar como dificuldades de aprendizagem os alunos que apresentam privação cultural, uma vez que também são encontrados alunos de classe econômica bem favorecida com dificuldades em aprender.


É possível que determinadas crianças tendam a apoiar-se mais nas correspondências letra – som e que outras apresentam mais facilidades nos padrões visuais globais. Os alunos com dificuldades na aprendizagem apresentam dificuldades em perceber, em construir a consciência fonológica, ou seja, habilidades em perceber seqüencialmente a estrutura sonora das palavras. Os alunos que apresentam dificuldades em lidar com os sons da fala possivelmente terão dificuldades em relacionar estes sons com as letras das palavras escritas.


Desde que se começou a investigar as dificuldades de aprendizagem, muitas teorias surgiram e muitas definições também. Inicialmente toda e qualquer dificuldade ganhava o nome de Dislexia, um nome extremamente forte e rotulador para os alunos que muitas vezes apresentam apenas dificuldades na aquisição e desenvolvimento de sua aprendizagem, sem que para isso tenham que realmente ser portadoras de Dislexia.


A dificuldade de aprendizagem é um termo usado de maneira geral, referindo-se às crianças que podem apresentar dificuldades quanto a:


Aquisição da leitura e da escrita


Compreensão auditiva


Compreensão da leitura


Dificuldades na escrita


Raciocínio matemático

 

Estas dificuldades podem ser intrínsecas ao indivíduo e/ou desencadeadas por fatores ambientais e emocionais.

 

Dentre as dificuldades que podem aparecer e que poderiam estar causando transtornos ao desenvolvimento de sua aprendizagem podemos citar:


1. Confusão entre as letras no que diz respeito à sua simetria .


p,q / b,d / m,n / n,u


2. Trocas de letras foneticamente semelhantes.


t,d / f,v / p,b / q,g / j,ch /


3. Inversão das ordens das letras.


Pro (por), pla (pal), es (se)


4. Omissão de letras.


Cansado- casado; durante – durate


5. Omissão de sílabas em palavras.


Confusão- consão ; menino- meno


6. Omissão de palavras em frases.


O menino subiu no muro para pegar o gato.


O menino subiu no muro para o gato.


7. Segmentação ou fragmentação de palavras.


Acasa da minhaavó .


O menino es tava passean do.


8. Representação múltipla.


Presente- prezente


Quarto- cuarto


9. Apoio na oralidade.


Choveu- chuveu; parque—parqui


10. Leêm num ritmo muito lento, pulando linhas ou substituindo palavras.



Geralmente, acompanhando as dificuldades apresentadas pelos alunos encontramos uma caligrafia desordenada, mal posicionada no papel, com muita tensão do lápis, escrevendo com muita força e, às vezes, escrevem tão leve que se torna difícil para nós enxergarmos o que foi escrito. A este transtorno denominamos de Disgrafia.


A Disgrafia está relacionada a uma dificuldade motora. Há dificuldades na coordenação dos movimentos finos e dos pequenos músculos. O aluno apresenta:


Dificuldade de se posicionar no espaço gráfico;


Sua escrita não obedece a uma seqüência rítmica;


As letras de uma palavra são escritas separadamente;


Não apresentam uma tonicidade regular.


Diante dessas informações, o presente projeto sugere um trabalho por meio de atividades significativas, que vão auxiliar o aluno na construção da leitura e da escrita a partir de informações e conhecimentos que fazem parte do seu universo cultural.

 
 

Objetivos


Expressar-se oralmente com eficácia em diferentes situações, interessando-se por ampliar seus recursos expressivos e enriquecer seu vocabulário.


Dominar o mecanismo e os recursos do sistema de representação escrita, compreendendo suas funções.


Interessar-se pela leitura e escrita como fontes de informação, aprendizagem, lazer e arte.


Buscar e selecionar textos de acordo com suas necessidades e interesses.

 
 

Áreas envolvidas


Língua Portuguesa


Matemática


História


Artes

 
 

Temas Transversais


Valores


Pluralidade Cultural


Meio Ambiente


Cidadania

 
 

Recursos materiais


Livros


Revistas


Jornais


Internet

 
 

Etapas:



I – Apresentação do tema


A) Coletar informações sobre o tema Folclore. (conhecimento prévio dos alunos)


B) Leitura compartilhada de texto sobre o Folclore (feita pelo professor).


C) Discussão, comparação e complementação dos diferentes tópicos relacionados ao Folclore. (lendas, parlendas, provérbios, músicas, adivinhas, frases de pára-choque de caminhão, brinquedos e brincadeiras, receitas e comidas, superstições, receitas caseiras de cura e ervas medicinais, crenças, mitos, artesanato, festas populares, danças).

 


II – Trabalhando com lendas


A cada dia será feita a leitura de uma lenda (sugeridas pela classe) e, ao final da semana, a sala será dividida em grupos para que cada grupo escolha e reescreva uma das lendas que foram lidas.


Nesse momento, o educador deverá estar atento para agrupar alunos com necessidades diferentes de aprendizado, de modo que um auxilie o outro e vice-versa. Cabe ressaltar, que os alunos de Alfa contribuirão mais com a parte oral do que com a escrita, enquanto observam os “escribas” (alunos mais adiantados) trabalharem a reescrita da lenda.


Os textos produzidos serão utilizados posteriormente na correção coletiva.


Observação: Para os alunos com maior dificuldade na leitura e/ou na escrita, será proposta a montagem do título das lendas, utilizando o alfabeto móvel.

 


III – Provérbios


Inicialmente será feito um resgate do significado da palavra, em seguida, tanto o professor como os alunos, exemplificarão alguns provérbios conhecidos.


A proposta será de que cada aluno pesquise um provérbio e entregue ao monitor. O mesmo fará uma correção gramatical nos provérbios e os organizará em tiras, sendo cada qual em uma tira de cor diferente das demais; para os alunos com maior dificuldade de leitura e de escrita, o monitor dará um provérbio recortado em palavras e para os demais alunos, dará um provérbio recortado em sílabas para que cada um monte o seu provérbio. Depois de executada a montagem, farão uma ilustração, cada qual do seu provérbio, que represente o que está escrito.

 


IV - Ervas medicinais


O monitor fará um levantamento do conhecimento prévio da turma e, na seqüência, será o escriba dos mesmos, organizando os itens citados (ervas, raízes,...) em uma lista, a qual, posteriormente, será fixada na parede da sala.


Com o alfabeto móvel, os alunos com dificuldade de leitura e de escrita, montarão o nome de algumas ervas (caso o aluno desconheça ou não se lembre, o monitor faz a intervenção necessária). Em seguida, escreverão o nome das ervas que montaram em uma ficha e farão um cartaz com todas as ervas escritas pelos mesmos.


Paralelamente, os alunos de Pós farão outro cartaz com o título: “VOCÊ SABIA QUE...” no qual destacarão dicas de manuseio e curiosidades a respeito das ervas mencionadas.

 


Outras atividades:


Culinária com receitas de chás: Trabalhar a escrita dos ingredientes, a quantidade e o procedimento, não esquecendo dos de higiene. Mostrar que alguns chás são feitos de folhas enquanto outros, de cascas, galhos e raízes.


Cruzadinha com o nome das ervas.


Coletar ervas para análise: verificar cor, cheiro, textura, tamanho e gosto. Destacar que nem todas as ervas são comestíveis, podendo até serem venenosas.

 


V – Brinquedos e brincadeiras


Resgatar brinquedos e brincadeiras de antigamente e compará-los com os da atualidade. Dividir a sala em dois grupos e propor um debate onde cada grupo defenda uma idéia: um grupo defende os brinquedos e brincadeiras de antigamente e o outro defende os brinquedos e brincadeiras atuais, da modernidade; vale ressaltar que para defender ou acusar é necessário levantar aspectos positivos e negativos de cada brinquedo e/ou brincadeira. Para que não haja bagunça, o professor fará o papel de juiz que dará voz a um grupo de cada vez. Isso vai estimular a linguagem oral e o poder de argumentação dos alunos.


O monitor (juiz) define quando termina o debate e qual o grupo que melhor defendeu suas idéias. Como sugestão, o monitor pode montar grupos de 2 ou 3 alunos para que transcrevam os pontos positivos e negativos dos brinquedos e brincadeiras de cada época. Posteriormente o monitor pode distribuir aos alunos de Alfa uma folha com figuras de brinquedos, tanto antigos como atuais e pedir que escrevam seus nomes no espaço deixado. (Deixar o espaço certo para que o aluno não se esqueça de nenhuma letra). Montar um caça-palavras para que toda a classe encontre individualmente os brinquedos e brincadeiras escondidos entre as letras embaralhadas.

 
 

Avaliação:


Será realizada durante todo o processo de trabalho, considerando o grau de desenvolvimento dos alunos. Ao realizar a atividade programada, quase sempre aparecem elementos que não foram previstos pelo professor. O grau de conhecimentos prévios, por exemplo, pode ser maior ou menor do que o esperado, de modo que os objetivos que foram propostos em relação ao tema sofram modificação, ou apareçam elementos que modifiquem o trabalho.

 
 

Bibliografia


ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e Distúrbios da Linguagem Escrita. Questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Carla Regina Rodrigues da Silva

Caroline dos Reis Leme

Dulce Elaine Inojossa

Maria Aparecida M. Salvarani

Vera Aparecida Gula

 

Julho/2005






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